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AS PALAVRAS.

Lisboa
Para quem escreve tanto, às vezes tenho demasiados problemas com palavras. Ou, melhor, tenho demasiados problemas em expressar sentimentos em palavras. Talvez como consequência de uma época em que as palavras se viraram contra mim, sinto que, quando se trata de certas pessoas, as palavras deixaram de me obedecer. Vêm quando querem, fazem o que querem. A culpa não é das palavras e também não é das estrelas. A culpa é das pessoas.

Acho estúpida a forma como algumas pessoas nos marcam, a forma como nos ficam na cabeça, a forma como mexem connosco e nos deixam as pernas a tremer. Normalmente, estas pessoas são as que mais valem a pena. Chegam sem avisar, partilham umas horas connosco e, de repente, conseguem fazer-te sentir especial a um nível estupidamente elevado. São essas pessoas que, ainda mais estupidamente, nos tiram as palavras. São essas pessoas que nos obrigam a procurar palavras, a tentar juntar sílabas que façam sentido, como quem aprende uma nova língua.

Às vezes, faltam-me palavras. Porque sinto que não há palavras que cheguem para dizer e explicar o turbilhão de coisas que me fazes sentir. Um dia, quando tomarmos estas ruas como nossas, talvez seja mais fácil arranjar palavras.

Acho que é por isso que gosto tanto de passear por Lisboa. Perdida entre palavras que não encontro, com a mais bela luz a iluminar o mais negro dos dias, Lisboa há-de ter sempre respostas para mim, há-de ter sempre palavras para me dar. Mesmo quando não restarem palavras.



As fotografias deste post são de quinta-feira, de um passeio com uma amiga. Podem ver uma publicação sobre o miradouro de São Pedro de Alcântara aqui.

Lisboa
Lisboa
Lisboa
Lisboa
Lisboa
Lisboa

2 Comentários

  • Reply
    Anónimo
    15/03/2016 at 09:52

    Estão muito giras as fotos 🙂

  • Reply
    Joana Sousa
    15/03/2016 at 15:54

    As fotos estão tão bonitas – um olhar bem pessoal. E gostei ainda mais do texto. Acertaste na mouche.

    Jiji

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