Semana Literária

Estante-Cápsula: Dia Mundial do Livro

estante-cápsula

Quando a Andreia disse que estava a planear um desafio para o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor pedi logo para participar! Teria sido embaraçoso se ela não estivesse a planear convidar-me, mas, felizmente, ela já me tinha incluído na lista. O desafio proposto era este estante-cápsula.

Foi uma aventura do caraças concretizá-lo. Estava sempre a mudar de ideias sobre os livros e sobre os autores, se bem que estes últimos foram uma escolha mais fácil porque decidi logo dois deles. Acho que ainda estou a suar com a dificuldade de escolha. Não sei se daqui a meio ano ainda mantinha as escolhas, mas a piada está aí.

A minha estante-cápsula

Mudas de casa. E na tua estante nova só tens espaço para ter 4 autores e 3 livros.
Quais escolhes?

Percebes agora a dificuldade? Depois de dar muitas voltas aos livros e à cabeça, acabei por me decidir, mas foi tudo menos fácil. No final, estas foram as minhas escolhas:

Quatro autores

  • Gabriel García Márquez
  • Miguel Esteves Cardoso
  • Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Afonso Reis Cabral

Três livros

  • Crónica dos Bons Malandros, do Mário Zambujal
  • A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez
  • Open, do Andre Agassi

Estante-Cápsula: os autores

Gabriel García Márquez foi a minha primeira escolha e não podia ser de outra forma. Por um lado, é o meu escritor estrangeiro preferido. Por outro lado, tem uma obra vasta, da qual ainda tenho muito para ler, pelo que ficava muito bem servida com ele. Além disso, ao mantê-lo conseguia também manter o meu livro preferido, Crónica de uma Morte Anunciada, pelo que a decisão facilitava a minha vida.

A mesma lógica aplica-se à escolha do Miguel Esteves Cardoso. Neste caso, é o meu autor português preferido e ainda há livros dele por ler. Também aqueles que já li me marcaram, pelo que a escolha é mais do que segura. A dificuldade começou aqui. Que outros autores é que mantinha?

Pensei em tantos autores que, a certo ponto, já não sabia como decidir. Acabei por seguir o meu instinto e escolher outros dois portugueses. A primeira escolha foi a Sophia de Mello Breyner Andresen. Confesso que tive dúvidas em relação à minha escolha, mas mantive-a com base numa coisa: apesar de ter lido duas obras na escola e ter lido agora dois livros de poesia, é uma autora que ainda estou a descobrir e com a qual sempre tive uma espécie de ligação cósmica de Soph(f)ias. A obra de Sophia permitiria-me ler obras infantis e continuar a descobrir poesia de que gosto. 

Por fim, quis optar por um autor mais novo, que ainda pode publicar muitos livros ao longo da vida, por isso assegurava-me novidades para mundo tempo. A primeira escolha neste campo foi o Afonso Reis Cabral e decidi mantê-la. É uma escolha quase arriscada porque a fiz baseada apenas num único livro dele, com ideia daquilo que há nos outros dois, mas sem certezas. Ainda assim, acho que o Afonso era uma escolha segura para me dar boa literatura por muitos anos.

Outros autores que ponderei escolher, mas acabei por descartar: Ricardo Araújo Pereira, Pam Gonçalves, F. Scott Fitzgerald, Sally Rooney.

Estante-Cápsula: os livros

Não há palavras para a dificuldade que senti nesta área. Eu escolhi, eu tirei, eu voltei a escolher, eu dei voltas e voltas ao Goodreads e aos meus livros, eu amaldiçoei o mundo e, no final, lá me decidi por três livros.

O mais fácil de escolher foi Crónica dos Bons Malandros, do Mário Zambujal. É um livro pequeno, mas engraçado e capaz de proporcionar umas boas gargalhadas. Acho que ia ficar muito bem nesta estante-cápsula.

A segunda escolha foi A Lua de Joana, da Maria Teresa Maia Gonzalez. Acho que muito dificilmente me conseguia imaginar num mundo onde não tinha este livro na estante. Tenho A Lua de Joana há mais de metade da minha vida, para aí desde 2004 ou 2005, e não consigo mesmo imaginar-me sem este livro.

Para terminar, depois de muito pensar, acabei por me decidir, curiosamente, pelo Open, do Andre Agassi. Esta foi a escolha menos óbvia. Em primeiro lugar, porque é uma biografia. Muitos sabem que eu gosto muito de ténis e esta biografia de um dos tenistas mais icónicos desconstrói o ténis de uma maneira diferente. Em segundo lugar, porque o motivo da minha escolha se prende com um parágrafo do livro que eu cito constantemente quando escrevo e que me diz muito mais do que consigo explicar:

It’s no accident, I think, that tennis uses the language of life. Advantage, service, fault, break, love, the basic elements of tennis are those of everyday existence, because every match is a life in miniature. Even the structure of tennis, the way the pieces fit inside one another like Russian nesting dolls, mimics the structure of our days. Points become games become sets become tournaments, and it’s all so tightly connected that any point can become the turning point. It reminds me of the way seconds become minutes become hours, and any hour can be our finest. Or darkest. It’s our choice.

Outros livros que ponderei escolher: A Vida é Só Fumaça, do Luís Filipe Borges; 1984, do George Orwell; On Writing, do Stephen King.

Perguntas de Bolso

Para acompanhar a leitura… não sou muito esquisita. Normalmente, prefiro ler com alguma música de fundo, mas também o consigo fazer em silêncio. Só preciso do livro, que o resto é quase irrelevante.

Sublinhar livros? Só o costumo fazer com livros de não-ficção, mas sim, uso lápis para sublinhar livros.

Uma personagem para tomar café? Peter Kavinsky, Peter Kavinsky, Peter Kavinsky, Peter Kavinsky, Peter Kavinsky, Peter Kavinsky, Peter Kavinsky.

Team marcador de livro ou qualquer coisa serve para marcar a página? Normalmente uso marcador ou fotografias. Quando não tenho nenhum dos dois à mão, pode ser qualquer coisa. No ano passado andei algum tempo a usar um cartão do metro.

Um livro para reler? Além dos três que escolhi aqui, aquele que ando com mais vontade de reler nos últimos tempos é Como é Linda a Puta da Vida, do Miguel Esteves Cardoso.

Um livro que te acompanha da infância? Além dos livros d’Uma AventuraA Lua de Joana.

Na mesa de cabeceira tenho… neste momento tenho dois: Estar Vivo Aleija, do Ricardo Araújo Pereira, e Americanah, da Chimamanda Ngozi Adichie.

O desafio Estante-Cápsula é um original da Andreia Morais, do blog As Gavetas da Minha Casa Encantada.

Esta semana, para celebrar o Dia Mundial do Livro (dia 23 de Abril), todas as publicações do blog estão relacionadas com livros. Esta semana literária inclui 7 publicações, de 19 a 25 de Abril, todas cheias de sugestões literárias.

6 Comentários

  • Reply
    Andreia Morais
    23/04/2020 at 20:22

    Achavas mesmo que não te ia convidar? Só se estivesse maluquinha [vá, mais do que aquilo que estou por vos querer obrigar a escolher só 4 autores e 3 livros ahahah].

    Enquanto dava forma à minha lista, senti isso mesmo: hoje, as escolhas foram as que partilhei, mas daqui a uns tempos podem mudar por completo. E acho que esse é um dos traços fantástico da literatura, porque nos abre sempre imensas gavetas *-*

    Quero aventurar-me em mais obras de Gabriel García Marquez e de Sophia! E tenho que ler A Lua de Joana e Crónica dos Bons Malandros.
    Miguel Esteves Cardoso não falha. E Como é Linda a Puta da Vida tem um lugar muito especial no meu coração.

    Muito, muito obrigada por aceitares participar, minha querida ♥

  • Reply
    Os devaneios da Tim
    23/04/2020 at 20:28

    Nunca pensei usar fotografias como marcadores :O

  • Reply
    Inês Martins
    23/04/2020 at 21:33

    Gostei imenso do teu post. Nunca li nada do Miguel Esteves Cardoso, mas fiquei a considerar seriamente fazê-lo! No meu post, incluí o “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel García Marquez, e estou muito curiosa também para ler mais coisas dele.

    Beijinhos,
    https://inescm2.blogspot.com/

  • Reply
    Simple Girl
    24/04/2020 at 10:07

    Gostei das tuas respostas 🙂

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