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CONSTRUIR UM CONTO #4 – REVISÃO

construir um conto
E pronto: chegámos ao fim. Ao fim do conto e ao fim desta mini-série sobre escrever contos. Mas antes de passarmos a outras publicações, há várias coisas que precisam de ser feitas. Quando termino um projecto de escrita, não importa o tamanho, gosto de o deixar repousar durante uns tempos. Não sei se costumam cozinhar, mas há algumas massas que precisam de ficar durante umas horas a repousar antes de se mexer nelas. Na escrita também é assim, também é preciso deixar descansar. Se é um conto, normalmente uns dias chegam. Se for um livro deixo duas semanas ou algo do género. Mas tento sempre deixar algum tempo de repouso. Este tempo é essencial para depois rever e editar.

Revisão
Se forem ler o vosso conto no momento exacto em que acabam de o escrever ainda estão demasiado dentro da história e, por isso, há coisas que vão escapar: gralhas, pontas soltas, erros. Afastarem-se durante umas horas vai dar-vos outra visão sobre o texto. E se for durante uns dias ainda mais. Quando lerem vão ter uma visão mais clara e leve sobre o que escreveram e vão ser capazes de detectar pormenores que de outra forma escapariam.
Para revisão primeiro precisam de ler com atenção, fazer notas, anotar correcções. Depois de editarem tudo o que acharem necessário leiam novamente e certifiquem-se de que está tudo certo. O que pode também ajudar neste processo é ter leitores-beta. Os leitores-beta não são mais do que pessoas da vossa confiança que leiam os vossos projectos e sejam sinceras para vos ajudarem a detectar pontos fortes e pontos fracos, pontas soltas, erros, enfim. É uma forma de terem um grupo de pessoas que vos vai ajudando a saber se estão num bom caminho. Tenho alguma dificuldade neste ponto, admito. Primeiro porque confio o meu trabalho a poucas pessoas. Depois porque nunca sei até que ponto estou a incomodar ou ser chata. No meu caso, o meu melhor amigo ajuda muito na parte de detectar gralhas. E é óptimo terem essa ajuda porque, depois de lerem muitas vezes a mesma coisa, vão estar tão próximos do texto que não reparam em tudo.
Edição
Quando estiver tudo definido em relação a mudanças e alterações é necessário começar a edição propriamente dita. E depois vem a parte em que verificam o tamanho. Se estão a participar num concurso e o limite é 3000 palavras e reparam que têm 4000 palavras… bem, vão ter de cortar. Ora, cortar texto não é fácil. Tive de o fazer algumas vezes na faculdade e dava comigo em maluca. Como é que é suposto cortar palavras de um texto sem lhe tirar a essência? É difícil, sim, mas é possível.
Tenham consciência de que o que tiver de ser cortado é para o bem do vosso texto. Se não conseguirem perceber o que podem cortar têm, mais uma vez, a hipótese de pedir a alguém que leia o texto e vos dê sugestões de partes que estão a mais ou que não acrescentam qualquer informação. Se há algo ali que não faz falta, não diz algo novo ou simplesmente não é necessário para o resto da história então não tenham medo de cortar. É como terem uma planta. Claro que a vão regar e vão cuidar dela para que cresça bonita e saudável, mas também vai haver momentos em que precisam de cortar folhas velhas.
Eu gosto muito da parte de edição. Nem sempre é fácil e às vezes fico com pena das personagens, das falas, das descrições, mas sei que tenho de o fazer. Normalmente, o meu fluxo de trabalho é: terminar a escrita – dar um tempo de pausa – ler tudo e, ao mesmo tempo, apontar correcções, erros, mudanças – copiar o ficheiro original para um novo e aplicar as mudanças nesse ficheiro – ler novamente (normalmente dou mais uns dias de pausa) – mostrar a alguém – ver as sugestões de quem lê e aplicá-las, se achar que vale a pena – ler mais uma vez. E c’est finit. Acabou. Se é para concurso é hora de enviar. Se é para publicar é hora de o fazer. No caso do Conta-me Histórias tem sido tudo um bocado em cima do joelho, demasiado em cima do joelho para o meu gosto, mas é o que tem sido possível.
Como é expectável, nada do que foi dito nesta mini-série é uma verdade universal e cada pessoa tem a sua forma de trabalhar, o seu método. O importante é também estudar novos métodos, experimentar formas diferentes. Estas dicas simples foram apenas uma forma de vos ajudar e de dar algumas ideias. A partir daqui é com quem escreve. Da minha parte, a mini-série está terminada, mas espero que tenham gostado e que, de alguma forma, tenha sido interessante e útil.
Revisão da matéria:

2 Comentários

  • Reply
    Andreia Morais
    04/03/2019 at 20:03

    Adorei esta mini série, mas foi agradável de ler. Já para não mencionar, ainda que me repita, da sua utilidade preciosa!
    Sinto que esse tempo de pausa é mesmo pertinente 🙂

    • Reply
      Sofia Costa Lima
      06/03/2019 at 12:57

      Muito obrigada pelo apoio em todas as publicações! Foi muito importante!! 💙

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