Conta-me Histórias

Conta-me Histórias: Teremos Sempre Qualquer Coisa

27/02/2020

Demorou. Foram seis anos de mas e para quando a continuação do Teremos Sempre Londres? misturado com será que há história além de Londres? O Teremos Sempre Londres foi a terceira história que escrevi na vida, tinha 15 anos, e foi o primeiro livro que publiquei, aos 18. Meses depois já achava que devia ter feito mudanças. Quase sete anos depois ainda mais acho isso.

Há uns anos ainda tentei partilhar, online, a continuação, mas depois parei. Não era aquilo que eu pretendia. Nos últimos 5 ou 6 anos pensei muito sobre o que fazer com esta história. Este conto era para ter sido para Julho, adiei para Dezembro, mas não podia deixar passar de Fevereiro. Não queria obrigar as pessoas a ler o livro para poderem ler este conto, por isso construí de forma a que o conteúdo do livro estivesse lá e quem não o leu não sente falta disso. Se ainda não o fizeste, o Teremos Sempre Qualquer Coisa está disponível aqui:

Teremos Sempre Qualquer Coisa: porquê este título?

Há mais de 5 anos que os documentos de word que guardam ideias de continuação estão guardados com o título Teremos Sempre Qualquer Coisa e, não querendo chamar-lhe outra coisa, achei que fazia todo o sentido este conto ter o título dos documentos que durante tanto tempo me deram dor de cabeça e me fizeram questionar o sentido da literatura.

Easter Eggs que mais ninguém compreende, mas que eu saberei sempre que lá estão

A primeira parte do conto, aquela antes de revelar os nomes das personagens, estava escrita desde o final de 2013. Aquilo foi algo que me aconteceu um dia (ou uma noite, vá) e que eu escrevi para quando (se) quisesse escrever aquela história. Nunca quis. No entanto deixei aquela cena. Com tanta história por terminar que habita neste computador, quis usá-la agora.

Depois, há uma frase no conto (não vou dizer qual) que me foi dita há muitos anos e que me manteve em pé muitas vezes. Essa frase tem uma importância gigante na minha vida, tal como a escrita (em especial a que veio depois do Teremos Sempre Londres) e quis juntar as duas como forma de agradecer à pessoa que me disse a frase. A primeira pessoa a acreditar realmente em mim quando eu não acreditava e quando eu não tinha coragem de revelar certos sonhos que tinha. Aqui entre nós, teremos sempre palavras.

O que gostava de ter feito diferente com o Teremos Sempre Londres

Daqui a pouco mais de um mês faz sete anos que assinei o contracto para o Teremos Sempre Londres. Em Julho faz sete anos que foi apresentado. Nestes anos, já pensei muito sobre este livro e sobre o que teria feito de forma diferente. Na altura decidi publicar com a Chiado porque sabia perfeitamente que nenhuma outra editora ia pegar num livro de uma miúda de 18 anos que não era famosa na internet. Isto não mudou. A única espinha no processo deste primeiro livro foi só ter recebido os exemplares na noite anterior à apresentação. 

De resto, ao contrário de muita gente que por aí anda, recuperei todo o investimento e tive lucro de cerca de 300 e tal euros. Posteriormente usei este dinheiro para investir no segundo livro. Vendi 150 livros no espaço de um mês (incluindo apresentação) e mais tarde vendi mais 30 na apresentação do segundo livro. O único exemplar que tenho em casa é, na verdade, o que assinei para a minha mãe. Nos dois livros, o contracto era comprar 150 exemplares a um preço mais reduzido. Agora penso que são mais (já li que anda à volta de 250, o que é muito). No segundo livro fiquei com mais exemplares porque muita gente optou por comprar em livrarias, mas, ainda assim, recuperei o investimento (vantagens de vendermos os nossos livros cara a cara – há pessoas que optam por dar mais dinheiro do que o preço só para dar uma ajudinha).

Se hoje publicaria com a Chiado? Nunca. Mas não me arrependo de, na altura, ter publicado com eles. Arrependo-me, isso sim, de não ter esperado. Aquela história não tem maturidade porque eu também não a tinha. Escrevi-a aos 15 anos. Quem é que, aos 15 anos, tem maturidade de escrita? Se tivesse esperado a história ficaria mais madura e seria revista.

Aquele texto não foi revisto por ninguém além de mim. Eu aprendi muito sobre português meses depois, na faculdade. Gostava de ter o livro revisto, sem erros e gralhas. É por isso que eu nunca mais li aquele livro, ao contrário do segundo, que li há 3 anos e tal novamente.

Um dia, gostava de investir numa edição revista e, quem sabe, aumentada, que tivesse versão em ebook. No entanto, não sei se conseguiria desconstruir a história para a reconstruir.

No entanto, acredito que é precisamente por haver coisas que gostava de fazer de forma diferente que valeu a pena. Faz parte de uma evolução gigantesta. E mesmo quando, recentemente, ouvi pessoas mandar-me bocas sobre publicar com uma editora vanity eu consegui ter noção de que cresci, evoluí e sou melhor a escrever agora. Mas, acima de tudo, escrevi um livro. Dois. Três. Cinco, se contarmos com os dois primeiros de sempre, que eram muito pequenos. Quantos escreveram eles? Escrever um livro não é só escrever umas palavras. É ter coragem de o fazer. Nem todos têm, mas não me podem culpar por a ter.

Hoje em dia não recomendo editoras vanity e já jurei ao mundo que ou publico com editoras a sério, em que me pagam para publicar e não o contrário, ou publico sozinha, sem apoio. Porque as edições de autor (agora acessíveis em tantas plataformas) são quase o mesmo que publicar com uma editora vanity… o trabalho é nosso, a edição é nossa, a publicidade é nossa. A vantagem é que o lucro é todo nosso. Não vamos a Fnacs, Bertrands e outras livrarias? Paciência. Eu escrevo porque estas histórias precisam de sair da minha cabeça. Podem não valer um caraças ou podem ser do caraças. Mas são minhas. E o Miguel e a Carolina terão sempre um lugar especial na minha vida. Nós sim, nós teremos sempre qualquer coisa.

Faltam dois contos para terminar a primeira temporada de Conta-me Histórias. Podes acompanhar todo o projecto numa página dedicada a ele aqui.

  • Reply
    Andreia Morais
    29/02/2020 at 00:29

    A palavra de ordem é mesmo evoluir. E todas estas situações acabaram por moldar a tua personalidade e a tua identidade enquanto escritora. E isso só pode ser ótimo.
    Tenho que ler ambos *-*

  • Reply
    Patrícia Felizardo
    01/03/2020 at 19:50

    Gostei do conto e estou a amar a tua evolução na escrita

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