Vida

24 coisas que aprendi aos 24

24 coisas que aprendi aos 24

A certo ponto do último mês fiquei na dúvida sobre se ia conseguir escrever sobre as 24 coisas que aprendi aos 24. Desde que fiz 24 que a iminência dos 25 começou a fazer-se sentir. No entanto, ali por volta do final do Verão houve algo no meu cérebro que fez click e tornou-se impossível ignorar a realidade: hoje, dia 8 de Novembro, faço 25 anos. F***-**, 25 anos!

Apesar disso, estou a escrever isto com uma calma inédita em relação à data, talvez porque saí da terapia há poucas horas e ainda me sinto leve. Quando esta publicação sair, às 20h30 em ponto, vou estar num restaurante com metade dos meus amigos, a celebrar algo que achei, honestamente, que não ia celebrar. No ano passado apaguei a data de todas as redes e só disse que tinha feito anos vários dias depois. Este ano é diferente.

O ano em que me perdi

Não acho que os 24 tenham sido um ano memorável. Honestamente, a certo ponto (a vários pontos, na verdade) achei que estavam a gozar com a minha cara. Não foram poucas as vezes em que soltei palavrões, em que chorei as frustrações e as dores e em que achei que estava tudo perdido: o mundo, o ambiente, eu. No entanto, não foi um ano totalmente perdido. Mas foi um ano em que me perdi. De todas as vezes em que me senti perdida nenhuma foi como esta, em que simplesmente não conseguia sair de onde estava, não via saídas e não conseguia ler o mapa. Ainda não vejo as saídas, ainda acho que o mapa está desenhado de uma forma estranha, mas acredito que eventualmente vou encontrar as saídas certas.

24 coisas que aprendi aos 24

Aos 24 aprendi (ou continuei a aprender, para ser mais exacta) o que é voltar a sentir amor canino, incondicional, com lambidelas e pêlos por todo o lado. A Lady B veio dar-me um propósito e uma rotina quando eu sentia que estava a ser inútil para o mundo, veio dar-me amor, amizade e companhia quando eu me sentia sozinha. Aprendi também com ela que o amor e a paciência (ou persistência) mudam mundos. Quem viu a Lady há um ano e quem a vê agora pode comprovar.

Aprendi que não importa sabermos onde nos situamos política, social ou culturalmente se não agirmos em conformidade. Por isso, aprendi também a partilhar a minha visão do mundo e a fazer a minha minúscula parte quando assim é necessário: seja sobre direitos humanos e animais, saúde mental ou igualdade de género, não chega dizer o que defendo se realmente não agir para realmente defender.

Aprendi a acreditar nas minhas ideias e apresentei o Conta-me Histórias ao mundo. Ao mesmo tempo desaprendi a acreditar em muitas outras coisas. Aprendi que até gosto de fazer refeições vegetarianas e a equilibrar refeições com carne com refeições sem carne. Além disso, aprendi a fazer caril de legumes e olhem que é das melhores coisinhas da vida.

Aprendi que preciso de aprender a dizer não. Algures no tempo devo ter-me esquecido de que sei dizer não e agora preciso de aprender a fazê-lo. Aprendi o que é não conseguir respirar literalmente por ter um peso metafórico tão grande no peito. Aprendi a pedir ajuda. E não foi fácil fazê-lo, porque sempre achei que resolvia tudo sozinha.

Aprendi que gosto de manhãs, mas não demasiado. Aprendi que quero aprender mais. Quero ler, ver, ouvir, estudar. Sempre gostei de aprender e de estudar e aprendi que quero mesmo fazê-lo sempre. Aprendi a dar o braço a torcer e a aceitar regressar aonde não queria. Aprendi que, mesmo com a quarter-life crisis, posso pensar no futuro, que não estou condenada e que até me vejo a escrever aqui daqui a 5 ou 10 anos. É o máximo que consigo imaginar do futuro, na verdade, mas já é qualquer coisa.

Aprendi que não sei como ser eu se não tiver tempo para ler e para escrever fora do trabalho. Não me sinto eu, não sei como me sentir eu. Estou a trabalhar nisso. Aprendi a escolher a saúde mesmo que isso me obrigue a uma ginástica orçamental maior do que a esperada. Aprendi que nem sempre chega ser organizada porque o tempo não estica, o cansaço não colabora e a vontade aliada à paciência não conseguem fazer milagres. Aprendi a dizer palavrões entredentes quando queria mesmo berrá-los.

Aprendi que temos de desligar do trabalho no momento em que saímos fisicamente de lá. Só assim é possível manter o mínimo de sanidade mental. Com isso, aprendi também que entre saber o que temos de fazer e conseguir fazê-lo vai uma diferença tão grande que é mesmo mais fácil saber do que fazer.

Aprendi que a terapia me faz bem. Que provavelmente, sempre que puder, mesmo quando estava fase passar, vou querer fazer terapia durante muito tempo. As coisas parecem mais claras lá.

Aprendi que mais vale fazer perguntas estúpidas a tentar ser independente por ter medo de fazer as perguntas óbvias. Aprendi mil e uma coisas sobre crédito habitação e nem precisei de comprar casa. Aprendi onde me sinto em casa, onde é a minha segunda casa: aprendi que é no Porto. O Porto, que me acalma a alma. O Porto, que terá certamente um papel fundamental neste ano que agora começa. Não sei como serão os 25, não sei como vou lidar com eles, mas acho que até me sinto preparada. 25… f****-**, quem diria!


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1 Comentário

  • Reply
    Andreia Morais
    08/11/2019 at 21:18

    Estou deste lado a torcer para que os 25 sejam absolutamente memoráveis! Que cheguem cheios de força e que tragam muita luz e serenidade. E, já agora, muitos festejos em azul e branco 😉
    Espero que estejas a ter um dia fantástico. Beijinho grande <3

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